Por que tantas crianças travam na matemática nos anos iniciais?

Quando o assunto é o desempenho dos estudantes brasileiros em matemática, a discussão ganha vários pontos de vista. De quem é a culpa da baixa performance? Do professor? Do aluno? Da rede? Do baixo investimento?

Todo debate é válido, afinal, os dados reforçam a dimensão do desafio: no PISA 2022, 73% dos jovens brasileiros de 15 anos apresentaram baixo desempenho em matemática. Já no Saeb 2023, apenas 43,5% dos estudantes do 5º ano alcançaram o nível de aprendizagem considerado adequado na disciplina. 

Esse não é um problema que devemos olhar somente no final do Ensino Fundamental I, etapa em que se começa a trabalhar números, quantidades e operações de modo mais sistemático. Para entender o que acontece, é preciso olhar para os anos iniciais.

Neste artigo, veremos dois fatores associados ao rendimento na disciplina, o senso numérico, as funções executivas e como eles podem orientar a escolha de um programa estruturado já no 1º e 2º ano. Boa leitura!

Senso numérico: a base que sustenta contas e problemas

O senso numérico simbólico reúne competências de contagem, conhecimento dos números e operações aritméticas. 

Em um artigo sobre a importância dessa capacidade – intuitiva e fluida – de entender quantidades, Jordan, Glutting e Ramineni (2010) avaliaram competências de crianças em uma rede pública dos Estados Unidos, no início do 1º ano. Os resultados indicaram que essas habilidades iniciais abaixo contribuem para compreender e prever o desempenho em matemática nos anos seguintes:

  1. Contagem e princípios de contagem;
  2. Reconhecimento de números;
  3. Comparação entre números, como indicar qual é o maior;
  4. Adição e subtração simples em problemas orais e em combinações numéricas.

O senso numérico teve contribuição especial para explicar o desempenho em matemática ao final do 1º e do 3º ano, mesmo considerando fatores como idade, linguagem, raciocínio espacial e memória controlados. Para a rede, são competências observáveis logo no início da escolarização.

Funções executivas: o que a criança precisa gerenciar enquanto calcula

Quando olhamos pela perspectiva da neurociência, ganham destaque as funções executivas. Com elas, os estudantes aprendem a manter e manipular informações mentalmente (memória de trabalho), inibir distrações e respostas indesejadas (inibição) e adaptar seu pensamento diante de diferentes situações (flexibilidade cognitiva).

Uma revisão de pesquisas feita por Cragg e Gilmore (2014), sugere que essas habilidades têm papel relevante no desenvolvimento da proficiência em matemática, tanto na execução de cálculos quanto na aquisição de novos conhecimentos.

O estudo de Jordan, Glutting e Ramineni (2010) ilustra o ponto. Ao somar contando a partir de uma das parcelas, a criança precisa manter essa informação na memória enquanto prossegue com a contagem. Quando a memória de trabalho apresenta limitações, realizar essa estratégia pode se tornar mais difícil. 

Um erro de cálculo, portanto, nem sempre revela uma lacuna no conteúdo matemático: ele pode ter origem na demanda que a atividade impõe à memória e à atenção. Para o professor, isso amplia o que observar e registrar durante as aulas.

PROMAIS: matemática estruturada para o 1º e o 2º ano

O PROMAIS, Programa de Raciocínio e Aprendizagem Matemática da NeuroEscola,

elaborado para as crianças e educadores do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, atende todas essas expectativas.

Enquanto o livro da criança trabalha reconhecimento e registro de números até 100 (1º) e 1000 (2º), contagem, adição e subtração, o do professor traz planejamento detalhado das atividades, habilidades cognitivas estimuladas, códigos da BNCC e uma sondagem da aprendizagem, que favorece o acompanhamento dos percursos, avanços e conquistas dos estudantes.

Enfrentar o desafio do ensino de matemática no Brasil é olhar para o futuro!

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Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Toda Matemática: Contexto. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/toda-matematica/contexto. Acesso em: 08 out. 2026.

JORDAN, N. C.; GLUTTING, J.; RAMINENI, C. The importance of number sense to mathematics achievement in first and third grades. Learning and Individual Differences, v. 20, n. 2, p. 82-88, 2010. DOI: 10.1016/j.lindif.2009.07.004. Acesso em: 08 out. 2026.

CRAGG, L.; GILMORE, C. Skills underlying mathematics: the role of executive function in the development of mathematics proficiency. Trends in Neuroscience and Education, v. 3, n. 2, p. 63-68, 2014. DOI: 10.1016/j.tine.2013.12.001. Acesso em 08 out. 2026.

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