Educação infantil: a engenharia do conhecimento por trás do sistema de ensino Brincar, Descobrir e Aprender (BDA)

Planejar a educação infantil exige escolhas encadeadas, as quais passam pelo que propor às crianças, em qual sequência, com quais materiais e de que maneira acompanhar o percurso de cada turma ao longo do ano.

A NeuroEscola responde a esse desafio com o Brincar, Descobrir e Aprender (BDA), sistema de ensino alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que reúne cinco habilidades: literacia, numeracia, psicomotricidade, habilidades socioemocionais e funções executivas.

Neste artigo, você vai entender melhor como elas são fundamentais para que as crianças se desenvolvam com uma educação de base de qualidade e se preparem para as próximas etapas do ensino. Aproveite!

BDA: o método das funções executivas

As funções executivas são processos mentais que permitem manter informações em mente, controlar impulsos e ajustar o pensamento diante de novas demandas. A revisão de Diamond (2013) descreve três componentes centrais:

  1. Memória de trabalho: reter e manipular informações por alguns instantes;
  1. Controle inibitório: resistir a impulsos e a distrações;
  1. Flexibilidade cognitiva: mudar de perspectiva ou de regra quando a situação pede.

O BDA organiza o trabalho em torno de materiais específicos para cada público (2 a 5 anos). A criança utiliza cadernos de atividades, com metodologias lúdicas e científicas, como a instrução explícita e a abordagem multissensorial, além de um diário escolar para registro da rotina e sondagens para alunos de 4 e 5 anos

Já o professor conta com guia de implementação, material complementar, semanário e acompanhamento da Assessoria Pedagógica, que inclui visitas técnicas, formação docente, workshops e tutoria. Famílias e gestores também recebem recursos próprios, livros e manuais que colaboram para o sucesso desse ecossistema.

Nesse conjunto, as funções executivas atravessam as demais habilidades, pois toda atividade pede atenção, memória e autocontrole. Vamos entender como literacia emergente, numeracia, psicomotricidade e socioemocional aparecem ligadas aos campos de experiência da BNCC?

Literacia emergente

Na BNCC, o campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação” parte das situações comunicativas do cotidiano, nas quais as crianças interagem, desde o nascimento, com quem convive com elas (BRASIL, 2018).

Por isso, uma roda de história ilustra uma ponte importante com funções executivas. Ela ensina a esperar a vez de falar, o que exige controle inibitório, e lembrar a sequência dos fatos, recorrendo à memória de trabalho, ambos descritos por Diamond (2013).

A literacia é uma das cinco habilidades do sistema de ensino BDA. Assim, momentos de conversa e de narrativa na rotina da turma podem ser planejados para que linguagem e funções executivas avancem juntas, com registro do percurso.

Numeracia

O campo “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” reconhece que as crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído por fenômenos naturais e socioculturais, segundo a BNCC (BRASIL, 2018).

Nesse caso, contar objetos enquanto se ignora uma distração, ou trocar a regra de um jogo no meio da partida, ilustra o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva, conforme a descrição de Diamond (2013).

Na numeracia, os cadernos adotam metodologias lúdicas, jogos de quantidade e comparação, oferecendo ao professor oportunidades concretas de observar como cada criança lida com regras e desafios.

Psicomotricidade

O campo “Corpo, gestos e movimentos” afirma que, por meio dos sentidos e de ações impulsivas ou intencionais, as crianças exploram o mundo desde cedo, conforme a BNCC (BRASIL, 2018).

Lembrar a sequência de uma brincadeira, interromper um gesto impulsivo e adaptar o movimento a uma regra combinada exemplificam, na prática, os três componentes das funções executivas descritos por Diamond (2013).

Nesse contexto, atividades de psicomotricidade, que conectam os movimentos do corpo com a mente e as emoções, subsidiam informações preciosas para o diário escolar, voltado à observação e ao registro da rotina. Isso permite ao professor acompanhar como cada criança participa das brincadeiras e ajustar cada planejamento seguinte.

Socioemocional

No campo “O eu, o outro e o nós”, a BNCC destaca que é na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar (BRASIL, 2018).

Em jogos coletivos, aguardar a vez e aceitar uma regra nova mobilizam o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva descritos por Diamond (2013), agora aplicados à convivência entre colegas de turma.

As habilidades socioemocionais completam o conjunto do sistema de ensino BDA, que também inclui o livro “A família, a criança e a escola”. Essa proposta busca aproximar a convivência do cotidiano infantil do diálogo com as famílias.

Conclusão

Visto em conjunto, o sistema de ensino BDA (Brincar, Descobrir e Aprender) da NeuroEscola reúne materiais para criança, professor, família e gestão em torno de cinco habilidades, e as funções executivas ajudam a enxergar o que cada atividade exige de quem aprende.

O acompanhamento docente faz parte desse processo. Como apontam Consaltér, Fávero e Tonieto (2019), a formação continuada pode assumir diferentes perspectivas: desde processos informais e espontâneos e a participação em cursos até uma perspectiva de práxis pedagógica, que envolve autoformação, reflexão sobre a prática e formação coletiva. 

Assim, planejar, aplicar, observar e ajustar formam um ciclo contínuo, apoiado por workshops, tutoria e acompanhamento pedagógico.

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Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil, campos de experiência. Brasília: MEC, 2018, p. 38-41. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em 01 out. 2026.

CONSALTÉR, E.; FÁVERO, A. A.; TONIETO, C. A formação continuada de professores a partir de três perspectivas: o senso comum pedagógico, pacotes formativos e a práxis pedagógica. Educação em Perspectiva, v. 10, e019040, 2019. DOI: 10.22294/eduper/ppge/ufv.v10i.7121. Acesso em 01 out. 2026.

DIAMOND, A. Executive functions. Annual Review of Psychology, v. 64, p. 135-168, 2013. DOI: 10.1146/annurev-psych-113011-143750. Acesso em 01 out. 2026.

Luciana Brites

CEO e Fundadora da NeuroEscola

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